domingo, 24 de maio de 2015

Sobre o Mar que existe entre esse Elo.


Eu nem vi, Alice. Quando você chegou de mansinho e fez da minha vida um ponto de luz e caos. Com seus mil sentimentos não resolvidos disfarçados de egocentrismos. Com suas piadas negras e suas risadas fora de hora. Com seu gosto musical no mínimo diferente e sua frustração por não saber cantar. Com sua vontade de ser útil. Com sua máscara de ser fútil. Com seu jeito sutil de ser ninguém mais do que você mesma.

Eu nem vi, Alice. Quando você simplesmente parou de ser acaso e se tornou rotina. Quando você deixou de ser sozinha e passou a ser preocupação. Quando você deixou de ser você e se tornou eu. Quando você deixou de ser eu e se tornou eles. 

Eu nem vi, Alice. O quanto seu cabelo cresceu e suas barreiras diminuíram. O quanto você ficou mais bonita aos olhos dos outros. O quanto eu me assustei com a rapidez das coisas. O quanto eu me deixei passear por outros cantos. O quanto você cresceu nesse meio tempo. O quanto você se tornou aventura. O quanto eu virei monotonia.

Nem as estrelas cadentes e os signos do zodíaco poderiam prever isso, então eu nem vi, Alice. 
Eu nem vi Alice. Eu via Alice. 

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