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Abriu os olhos com certo esforço. A pouca luminosidade no quarto lhe agradava; Amenizava o ardor febril das vistas. A garganta lhe machucava até a alma, se é que havia resquício de uma confinada naquele corpo. Moveu-se levemente, fazendo menção de levantar e sentiu os reflexos da noite anterior. A dor veio à tona sem ter dó nem pierdade, percorrendo seu tronco e irradiando pelos membros. Sua cabeça latejava, completando o quadro deplorável em que se encontrava. Não sabia como tinha conseguido chegar em casa, mas agradeceu silenciosamente por ter acordado na própria cama. Lutou contra sua própria vontade de permanecer imóvel e se levantou. Precisava examinar os estragos. O espelho mostrava uma figura alta e esguia, até bonita se não fossem os hamatomas nos braços e pernas. A camisa escondia uma mancha enorme nas costelas, que parecia um bom motivo para uma ida ao hospital. O rosto antes belo, estava encovado. Os olhos vazios eram emoldurados pelas olheiras fundas. Se não fosse pelo ardor nos pulmões, provocados pela respiração entrecortada, ela teria certeza de que estava morta. Morta por dentro e por fora. Uma batida na porta lhe fez estremecer; A voz masculina do outro lado lhe perguntava se estava bem. Pedia desculpas. Pedia para conversar. Seu coração acelerado bombeava sangue rapidamente pelo corpo frágil, provocando ainda mais dor. Dor física e mental. Ela voltou para a cama e cobriu-se até a cabeça, rezando para Deus ou qualquer um que pudesse ouvir. "Queria estar morta", foi seu último pensamento antes da porta ser arrombada com força.
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